EMILIO ROMERO:


“NEOGÊNESE: O DESENVOLVIMENTO HUMANO MEDIANTE A PSICOTERAPIA”

(Della Bidia Editora, Quinta edição 2011)

Existem  questões de primeira importância no  trabalho psicoterapêutico, que o psicólogo deve dominar em profundidade. Este livro oferece um temário amplio dos assuntos que sempre estão presentes  no  exercício profissional do terapeuta

A.- QUESTÕES INELUDÍVEIS NO TRABALHO PSICOTERAPÊUTICO

  I. A experiência e sua configuração em vivência – Desenvolvimento e objetivos da psicoterapia:
O objeto de estudo da psicologia é a experiência e sua constituição em vivências, que são as configurações relativamente constantes das  experiências. Caracterizamos as classes de vivências mais destacadas, as que nos permitem apreender algumas linhas mestras da personalidade. Distinguimos aqui duas maneiras de entendermos o conceito de desenvolvimento e sua relação com uma proposta de neogênese -de renovação e mudança pessoal. A necessidade de ter uma concepção da personalidade.

 II. Os saberes-atitudes do terapeuta como fatores decisivos no trabalho terapêutico:
Há quatro exigências que precisa preencher o terapeuta para cumprir seu trabalho de ajuda. Todas elas supõem um bom nível de desenvolvimento de sua  personalidade. São exigências no plano ético, na orientação de seus interesses, no patamar de seu crescimento espiritual e em seus saberes-atitudes.

III. Exigências e pressupostos da relação terapêutica:
A relação se sustenta em cinco pressupostos indispensáveis, que implicam aos dois componentes da díade. Um destes pressupostos é que o espaço terapêutico é o lugar privilegiado da verdade.

IV. A relação terapêutica: sua formação e seus riscos:
Todo relacionamento que implique intimidade e troca de afetos supõe um período de formação para se configurar, estando sujeito a oscilações de maior ou menor sintonia. Está igualmente sujeito a alguns riscos  -os que podem tornar o processo mais difícil que o normal, inclusive infrutífero e  inviável. Comentamos seis riscos bastante freqüentes, obstáculos não apenas para novatos.

V. A entrevista clínica como forma de trabalho terapêutico:
É preciso examinar atentamente os dois planos da existência: o sincrônico, ou atual, e o diacrônico, ou biográfico. Nas primeiras entrevistas se definem os motivos da consulta e se avalia os fatores perturbadores e sintomáticos. É preciso uma avaliação atenta da personalidade e do mundo pessoal, duas formas de conhecer uma pessoa. Uma série de aspectos são considerados para esta avaliação: apresentação pessoal, comportamento expressivo, biotipo, verbalização, etc. Neste estágio se faz uma breve visita a alguns aspectos da biografia; só numa fase posterior se entra de cheio na história vital. No plano sincrônico é necessário conhecer as seis áreas que configuram o mundo pessoal, não importa se a queixa do cliente se centralize apenas numa área.

VI. Os benefícios imediatos proporcionados pela psicoterapia:
Tanto o cliente quanto o terapeuta se perguntam quais são os benefícios de um trabalho terapêutico (TT). Para alguns terapeutas novatos isto chegar a ser angustiante. O que estou fazendo para ajudar a meu parceiro? Será adequado meu modo de atuar neste caso particular? São perguntas que se faz. Indicamos aqui três benefícios derivados deste tipo de tratamento, decorrentes do só fato de freqüentar a sala de consulta, sem que o T precise de maiores esforços.

VII.-A percepção e avaliação pessoal feita pelo próprio consultante:
É conveniente que a própria pessoa que entra em terapia avalie sua situação pessoal. Para tanto é indicado que o terapeuta lhe forneça algum roteiro que lhe facilite esta operação. Esta é uma boa maneira de estimular sua autocompreensão e um  convite para uma atitude mais introspectiva.

VIII. A questão dos recursos pessoais como fatores básicos num processo de neogênese (mudança):
Qualquer empreendimento precisa de determinados recursos para cumprir seus objetivos. O TT é um tipo de empreendimento que necessita tanto de recursos materiais quanto de psicológicos. O tipo de terapia depende não apenas do que o cliente está propondo como o mais perturbador e necessário mais também dos recursos psicológicos que ele apresenta.

IX. Alguns procedimentos dialéticos aplicáveis no trabalho terapêutico

O método dialético coloca alguns axiomas que regem  a realidade entendida como um processo de mudança contínua. Conceitos como dualidades, polaridades, contradições e conflitos, mediações, totalidades, constituem seus referências teóricas. Consideramos aqui como opera a dialética no diálogo terapêutico. Analisamos, entre outras muitas polaridades, duas bastante comuns: a seriedade e o bom humor.

B. DA NECESSIDADE DE ABORDAR AS DIFERENTES ÁREAS DO MUNDO PESSOAL
Nesta segunda parte nos propomos enfocar as cinco grandes áreas do mundo pessoal nas quais se desenvolve o ser humano ao longo de sua vida. Em todas elas se refletem as dimensões da existência; todas elas mantém relações de influencia mútua. É comum que uma ou duas áreas se manifestem com mais afetadas por problemas e conflitos, mas eles tendem a afetar igualmente as outras áreas, embora seja em menor proporção.

X. Os relacionamentos afetivos:
Consideramos neste capítulos dois tipos de relacionamentos afetivos: a amizade e a relação erótica-amorosa. A realização nestes dois planos é um dos objetivos mais procurados da maioria das pessoas, mas a consecução deste anelo se depara com dificuldades, ciladas, frustrações e miragens, especialmente na esfera sexo-afetiva. Entre os motivos de consulta psicológica esta é a área que mais se destaca. A amizade multiplica os bens e reparte os males, escrevia Gracian, mas tampouco resulta fácil cultivar este bem em nossa época, embora as dificuldades não sejam tão perturbadoras como no amor.

XI. Os relacionamentos familiares e a relação conjugal:
Casamento e família são igualmente relacionamentos afetivos e de intimidade. Este tipo de relacionamento é tão problemático que existe toda uma especialidade terapêutica centralizada nele.  Para darmos uma amostra paradigmática dos conflitos familiares começamos examinando a famosa carta de Kafka a seu pai. Em seguida consideramos a família  como a matriz formadora e como o solar das primeiras experiências que direcionam a sensibilidade da pessoa, marcando aspectos importantes de sua personalidade. Em razão deste caráter existe consenso geral, com poucas vozes em contra, para que nela deva  predominar um clima de respeito, segurança e entendimento -imperativo que hoje parece cada vez menos factível. Comentamos também os fatores que permitem compreender seu  caráter problemático e a importância da relação conjugal, pois os pais são o principal eixo de sustentação e de orientação desta chamada célula máter do sistema social. Para darmos uma idéia cabal de quão difícil resulta a harmonia nesta esfera, resumimos as 40 fontes do infortúnio conjugal, segundo pesquisa efetuada por nós.

XII. A invenção da vida no plano do trabalho:
Entre todas as formas da práxis uma se destaca tanto por sua importância social quanto pelo efeito modelador e condicionante do caráter pessoal: o trabalho. A profissão é um elemento de identidade social e de status, tão importante como o sexo, a raça, a idade. No trabalho estão presentes todas as motivações humanas  -não apenas as necessidades biológicas, mas as demandas que mobilizam a todos nós: demanda de autonomia, de reconhecimento, de inserção grupal, de realização, etc. A profissão e o ofício estabelecem a modalidade dominante de relação homem-mundo: o fazer como atividade preponderante configura o ser da pessoa num grau notável.

XIII. Os relacionamentos imaginários e simbólicos:
Embora nos relacionamentos interpessoais concretos quase sempre existem elementos imaginários e simbólicos, existem entes que apresentam este caráter de um modo muito mais marcante, não importa quão reais sejam para quem acredita neles. Deuses, santos, entidades espirituais, heróis, ídolos populares, personagens literários -estas são as figuras simbólicas que mais freqüentam o imaginário das pessoas. Expomos aqui os motivos que permitem entender este tipo de relacionamentos.

XIV. Planos, projetos e perspectivas futuras:
O homem é um ser de projetos; todo sua ação se projeta na direção do futuro, não importa quão imediato seja este futuro. Na suas possibilidades está a realização de seus projetos. Nenhuma vida humana se esgota no puro presente. Fazemos planos, colocamos nossos anelos e esperanças num porvir próximo ou distante. Só nos estados depressivos, ou no total declínio da velhice, deixamos de acreditar na esperança de um mínimo futuro. Para muitos, inclusive a morte é a promessa de uma outra vida.

XV. A compreensão do desenvolvimento biográfico:
Os terapeutas ainda não tem dado a atenção devida ao exame da biografia de seus clientes. A pesar de que há toda uma área da psicologia que estuda o desenvolvimento em sua diferentes etapas, tende a ignorar-se a enorme importância que têm a biografia num trabalho de neogênese -que se propõe o desenvolvimento da pessoa, não apenas a erradicação de um sintoma, ou a superação de uma crise. Oferecemos neste capítulo algumas categorias de análise que nos permitem captar melhor a história de uma vida em seus diversos estágios e momentos, justificando sua relevância para a autocompreensão da pessoa.

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